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Clube Filatélico de Portugal

Inteiros de Propaganda franquiados, vendidos abaixo do porte PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Luís Armando Martins Barroso   
Sábado, 19 Setembro 2009 01:37

 

Inteiros de Propaganda franquiados, vendidos abaixo do porte

                                                                                                                                               Barroso
                                                                                                                                                                                        Luís Armando Martins Barroso

                

Ao longo da sua história têm vindo os Inteiros Postais a ser utilizados das mais diversas formas. Eles foram usados como modo de contacto individual, familiar, comercial, e entre empresas ou instituições. 

                Também serviram como elementos de propaganda de casas de comércio e afins e, ainda, como meio de obter lucros através da propaganda de diversas empresas ou marcas comerciais, publicitadas numa mesma forma postal.

                Ora, é sobre parte desta última forma de utilização dada aos Inteiros, que nos iremos debruçar desta vez. Mais precisamente, naqueles que, contendo propaganda, eram vendidos ao público, a custo inferior ao valor do porte que incluíam.

Segundo Cunha Lamas, terá sido por volta de 1877 que, pela primeira vez, foi usada esta modalidade, quando a Casa Havaneza, estabelecida na Praça do Loreto nºs 124 a 134 em Lisboa, colocou à venda por 20 reis, sobrescritos que continham um selo de 25 reis, tipo D.Luis I, porte da altura, devidamente colado.

                A diferença entre o preço da venda e o valor do porte (5 reis) mais os custos do sobrescrito, impressão etc., eram obtidos através de anúncios impressos nas suas duas faces.

                Não sabemos se a Casa Havaneza chegou a obter algum lucro com este processo, o que sabemos é que a ideia que presidiu à distribuição de propaganda por via postal, com venda do produto abaixo do valor exigido para o seu envio, teve seguidores ao longo dos tempos, e é sobre eles, especificamente, que nos iremos passar a referir.

                 Porém, antes de passarmos aos detalhes individuais, começaremos por apresentar 2 quadros. Um mostrando os proprietários das diversas formas postais criadas, datas da sua emissão e suas designações e outro, com as designações, datas de emissão e tipo de selo aplicado.

                Comecemos então, por observar os referidos mapas.

MAPA I
Mapa 1 
 MAPA II
Mapa 2

 

1.  ANNUNCIO POSTAL

Como já referimos atrás, este deve ter sido o primeiro Inteiro com propaganda que circulou em Portugal. Foi seu autor a Casa Havaneza e cada sobrescrito apresentava um número de série e demais instruções para a sua utilização. (fig. 1)

fig1 

Fig. 1

               Os sobrescritos mediam 145x110 mm e os anúncios deixavam apenas em branco um espaço de 80x65 mm, na frente, para ser escrita a direcção. A gravura era toda em azul e o papel estirado em diagonal. Este sobrescrito pode também ser considerado como um precursor deste tipo de Inteiros Postais.

Embora hajam sido emitidas 23 séries, são conhecidas, até ao momento, apenas 19. Seu preço de venda ao público, 20 reis era inferior ao valor do porte que incluía, 25 reis, em 5 reis. Deste tipo foram emitidos 2 tipos de séries diferentes sendo que uma delas a duas cores. (figs. 2 e 2a)

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Fig. 2

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Fig. 2a

 

2.  CARTA POSTAL ANNUNCIADORA DE PORTUGAL E HESPANHA

                No Diário do Governo nº 261 de 19 de Novembro, referindo a Patente de Invenção nº 4467, requerida pelo súbdito espanhol Salvador Arcadio, natural de Valença e negociante estabelecido em Madrid, vem exarada a autorização para a utilização de uma carta, descrita assim, no ponto nº 1 :

                “1. – Uma “Carta Postal Annunciadora, caracterizada por uma folha rectangular de papel, branco ou de cor, fino e consistente, dobrada em pequenos quadrados de forma a constituir depois de dobrada um sobrescrito perfeitamente fechado, e contendo dois espaços destinados ao texto que se desejar escrever, sendo os restantes espaços prehenchidos por annuncios de qualquer espécie, ilustrados ou não”.

                A referida Carta consistia numa folha de papel com 480x320 mm, que se dobrava em 4, no sentido horizontal, e em 3 no vertical, ficando então com uma face de 120x107 mm e um bordo superior em forma de aba gomada, para ser dobrada e servir de fecho da carta.

                Possuía a mesma, 2 rectângulos livres, um de 120x214 mm, para correspondência, e outro de 120x78 mm, para escrever a direcção.

                Apresentava ainda, na frente, o porte de 25 reis, rosa, em selo do tipo D. Carlos I (Mouchon), colado. A Carta era vendida o público por 20 reis.

fig3 

Fig. 3

 

3.  RECLAME

                Este tipo de Inteiro tem a particularidade de ser idêntico a um periódico. Autorizada em 1904 pelos CTT a sua circulação ao Visconde de Sacavém, seu proprietário, é formado por uma folha de 490x360 mm, dobrada à esquerda, impressa a preto e com  elementos de propaganda de artigos e estabelecimentos comerciais ou industriais.

 

                Possuía um rectângulo livre de 130x70mm para a direcção e faixas de 160 mm de largura, nas 4 páginas  para se escrever a correspondência. Na frente apresenta o porte de 25 reis, rosa, em selo tipo D. Carlos I (Mouchon) e era vendida ao público ao preço de 10 reis. (fig. 4)

fig4 

Fig. 4

 

4.  CARTA POSTAL - SECRETO

                Com a Patente nº 9.541 foi autorizada em 21 de Outubro de 1915, pelos CTT a Martins Moreira & Companhia, a circulação de uma carta, designada por CARTA POSTAL – SECRETO,   impressa na Typografia Agência de Publicidade localizada na cidade do Porto.

                Esta era ilustrada a cores, com gravuras e textos de propaganda e anúncios de artigos e estabelecimentos comerciais e industriais do Porto a quase totalidade, de Lisboa, uma, e de Coimbra outra.

                Era formada por uma folha de papel rosa, espesso, na parte exterior, e branco na interior, com 332x274 mm, para ser dobrada em 2 vezes no sentido da largura e 3 vezes no da altura, ficando então com o tamanho de 133 x96 mm. Possuía ainda uma aba para fechar e um selo, colado, Ceres de 2 ½ centavos, perfurado com 3 estrelas. Foram emitidas várias séries e a Carta era vendida ao público por 20 centavos. (fig. 5)

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Fig. 5

 

5.  BILHETE POSTAL RECLAMO

Em 4 de Março, foram autorizados pelos CTT, circular nº 9 de 9 de Março de 1916, Virgílio Almeida e João Germano Gonçalves Júnior, a perfurar os selos de 1 centavo que tivessem de aplicar aos bilhetes postais, de sua invenção, registados sobre o nome de “RECLAMO”, com um sinal do feitio de uma cruz.

Este tipo de postal, que era não ilustrado, continha textos de propaganda e anúncios de artigos e estabelecimentos comerciais e industriais de Lisboa. Impresso em cartolina verde, tinha as dimensões de 91x141 mm, e era vendido com o referido selo, colado, Ceres de 1 centavo, perfurado com uma cruz. (fig. 6)

Embora se pense que, a exemplo dos demais na altura, fosse vendido a preço inferior ao porte, desconhece-se o seu valor, pois não tem indicação de preço.

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Fig. 6

 

6.  BILHETE POSTAL – SÉRIE NACIONAL

                Por despacho de 12 Maio de 1916 do Administrador Geral dos Correios, publica na circular nº 16 de 13 de Maio, a autorização  para, Jorge Eduardo de Assis Paixão  perfurar os selos destinados aos bilhetes postais, SÉRIE NACIONAL, da sua indústria particular, com um sinal do feitio de uma pequena circular.        

                Postais ilustrados a cores com gravura e texto de propaganda a um artigo comercial, eram impressos em cartolina branca com as dimensões de 91x142 mm. (fig. 7) A série composta por 6 postais,   selados com a taxa atrás citada, era vendida  ao público por 5 centavos.

fig 7        
Fig. 7

 

7.  POSTAL COMERCIAL

                Carlos Alberto Silva Fernandes, viu ser aceite pelos serviços dos CTT, o seu pedido de autorização feito em 14 de Março de 1953,  para a impressão de um selo de 30 centavos, Caravela, emissão em vigor, em bilhetes postais publicitários, da sua autoria, mediante o pagamento das despesas de impressão do valor do selo.

                Tais postais destinavam-se a ser distribuídos gratuitamente ao público o qual os poderia utilizar em correspondência, desde que lhe apusesse uma taxa adicional de 20 centavos para perfazer o porte em vigor, 50 centavos.

                Os postais tinham o tamanho de 150x105 mm e foram entregues, para selar, já com a gravura publicitária impressa, em folhas de 18. O valor da taxa seria paga à medida que os bilhetes fossem requisitados pelo interessado.

                Apesar de terem chegado a sair, em 15 de Dezembro de 1953, da Casa da Moeda para o 3º Depósito dos CTT, 60.790 Postais Comerciais e daí seguido para a Estação Central do Terreiro do Paço, não consta que tenha sido levantada alguma vez qualquer quantidade deles.

                Todavia, são conhecidos alguns, muito poucos, novos e ainda muito menos, circulados, que certamente só poderão ter sido obtidos por meios ilegais. (fig. 8)

fig8 

Fig. 8

 

8.  CARTA FRANQUEADA CRAMEL

                Marcel Robert Van-Gothen Kruger, solicitou autorização aos CTT, para imprimir um selo de 1 escudo, tipo Caravela, emissão em vigor, numa Carta Postal por si criada, suportando ele todas as despesas, taxas, encargos, incluindo os de administração, o que foi deferido em 24 de Junho desse mesmo ano de 1953.

                Porém, só em10 de Maio de 1954 foram entregues nos serviços competentes dos Correios, dois modelos dessa Carta Postal, tendo então a Casa da Moeda informado que os custos da selagem de 5.000 exemplares importariam num custo de 860$00, a que seriam acrescidos mais 20 % para despesas de administração dos CTT.       Os 5.000 postais mais 3% para refugo, entraram na Casa da Moeda em meados de Agosto e de lá começaram a sair, para a Estação dos CTT do Terreiro do Paço, em princípios de Novembro de 1954.

                Avisado o cliente para proceder ao seu levantamento, o mesmo nunca apareceu, pelo que, passados que foram alguns anos, as Cartas foram consideradas abandonadas, o que, as levou a serem destruídas.

                A Carta “CRAMEL” (anagrama de Marcel), tinha patente registada sob o nº 81.128 e era formada por uma folha de papel de 285x360 mm, que depois de dobrada era fechada por meio de uma aba gomada, que possuía para o efeito.

                Na frente apresentava 2 linhas de pontos, ao alto, a toda a largura, à esquerda apresentava uma linha semelhante com 35 mm de comprido e, em baixo à direita, outra linha com 60 mm.

                No verso, à esquerda e ao alto, a palavra REMETENTE, a meio duas linhas de pontos com 110 mm, em baixo à direita, outra linha de pontos, sublinhada por um traço contínuo com 60 mm e, junto à aba, do lado esquerdo, o título “CARTA FRANQUEADA CRAMEL – Distribuição gratuita”

 

9. CARTA POSTAL UNIVERSAL

 

                Este tipo de carta postal era uma criação da Empresa da Carta Postal Universal, sediada em Lisboa. Em princípios de 1955 esta Empresa, pediu autorização para mandar imprimir um selo de 1$00, porte de serviço interno simples na altura, correndo todas despesas, taxas e encargos, suportados por si e pagos antecipadamente.

                Esta Carta era ilustrada a cores, com gravuras e textos de propaganda e anúncios, em folha de 360x375 mm, que dobrada 2 vezes no sentido da largura e 3 no da altura, apresentava um tamanho final de 180x110 mm.

                Uma vez a pretensão aprovada foram entregues na Casa da Moeda 50.000 Cartas divididas por 4 séries que, depois de devidamente seladas, de lá começaram a sair em Maio de 1954, nas seguintes quantidades: 5.000 da Série A; 10.000 da Série B; 15.000 da Série C e 20.000 da Série D.

                Foram constituídas 22 séries, das quais 21 levaram impresso um selo do tipo “Caravela” e uma (A 14), a última a sair, um selo do tipo “Cavaleiro Medieval”.  (fig. 10)

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Fig. 10 

Contudo, a Série A 5, por motivo de um erro de impressão, teve uma primeira fase, em quantidade não determinada, sem selo impresso, sendo por isso, o valor do porte, aplicado no momento da sua compra, através da colagem dos selos correspondentes.

Curiosamente, todas as Cartas deste tipo conhecidas, apresentam não um selo de 1$00, como todas as demais com selo impresso, mas antes um par de selos de 50 centavos da emissão “Cavaleiro Medieval”. (fig. 9).

fig 9 

Fig. 9

Ultimamente, foi encontrada também uma Carta Universal da Série A 2, em iguais circunstâncias, desconhecendo-se o motivo por que tal aconteceu. As Cartas tinham também impressa, na aba de fecho, uma vinheta de 20 centavos das Obras Sociais dos CTT, valor que correspondia ao preço da sua venda ao público.

                Finalmente, queremos aqui deixar expresso, o nosso sincero agradecimento, aos amigos filatelistas, Armando Sanches, Joaquim Lobo, José Correia e Paulo Dias, pelas ajudas que, quer a nível informativo, cedência de peças ou, digitalização das mesmas, tornaram possível que esta nossa apresentação, tivesse um melhor desenvolvimento.

 

 

 

Actualizado em Sábado, 19 Setembro 2009 18:48
 

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