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Clube Filatélico de Portugal

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Escrito por Joaquim Cortes   
Quarta, 14 Outubro 2009 11:58

 

 

Correio Militar do Afeganistão

                                                                                                                                                                    Joaquim Cortes
Joaquim Cortes

 

 

                Para não recuar muito no tempo, já que o Afeganistão sempre viveu em conflitos, nesta breve introdução sobre este país tomo como ponto de partida a década de setenta. Como se é sabido, em 1978, através de um golpe de Estado foi morto o príncipe Mohamed Daoud que havia proclamado a República e se tinha feito presidente. Ao ser morto, emergiu como presidente o general Takari, pró-comunista, que levou a efeito uma reforma radical das estruturas sociais, pelo que a resistência popular e as lutas internas puseram em causa a estabilidade do regime. Tal como Mohamed Daoud, também o general Takari foi morto e substituído por H. Amin, um convicto comunista.

No final de 1979, tropas soviéticas penetraram no país em apoio de um golpe de Estado que deu a Presidência da República a Karhmal, um chefe de uma facção comunista. Perante o facto, a resistência popular intensificou-se e os guerrilheiros enfrentaram as tropas soviéticas e as afegãs fieis a Karhmal.

Em 1980 a ONU condena a invasão soviética e pede a retirada deste país do Conselho de Segurança. Em meados da década de oitenta, assume a presidência da República do Afeganistão Najibullah, altura, que também se multiplicam diligências internacionais para uma pacificação do país e a exigência da retirada soviética o que veio a acontecer em 1989, todavia, três anos depois, Najibullah é destituído provocando intensos conflitos. Decorria o ano de 1996, quando os talibãs entraram em Cabul e implantam um governo islâmico de carácter radical e integrista instalando no país a lei corânica. No ano seguinte proclamaram o Emirato Islâmico do Afeganistão. Em 2001, na sequência do atentado terrorista de 11 de Setembro contra o E.U.A., este país desencadeou uma operação militar com a designação Liberdade Duradoura, que levou à queda do regime talibã.

 Posteriormente, foi criada uma força militar a ISAF (International Security Assistance Force) mandatada pelas Nações Unidas (UN), de acordo com a Resoluções do Conselho de Segurança deste organismo, cujo o primeiro Comando desta força pertenceu ao Reino Unido em Agosto de 2001, tendo a NATO assumido o comando em Agosto de 2003.

fig1                 fig2
 Figura 1                                          Figura 2
 

Actualmente, fazem parte desta força, mais de trinta países incluindo Portugal, que está integrado na mesma desde Agosto de 2005. Registe-se, que as primeiras forças portuguesas operacionais a serem destacadas para o Afeganistão, foi a 2ª Companhia de Comandos (Fig.1) que permaneceram naquele país desde Agosto de 2005 a meados de Fevereiro de 2006, altura, que foram rendidos pela 1ª Companhia de Comandos, (Fig.2) cuja missão se irá prolongar até Agosto do presente ano. Para a história, deve ficar escrito que, tanto a 2ª como a 1ª Companhia de Comandos, ficaram aquarteladas em Warehouse Camp, aproximadamente, a 10 kms de Cabul ao longo da estrada de Jalalabad. O leitor interessado em saber todo o desempenho das nossas tropas, deve consultar o Jornal do Exército de Dezembro de 2005, onde consta um excelente artigo escrito pelo então Comandante do Contingente português: Tenente-Coronel “CMD”, Luís Dores Moreira.

Num próximo artigo, irei tentar trazer ao conhecimento dos leitores, quais os países inseridos nesta força militar ISAF e outras informações complementares de interesse para todos os que se dedicam ao coleccionismo de correio militar.  

Falando agora no aspecto filatélico, à data de este escrito, não foi possível apurar, se o posto de correio instalado em Warehouse Camp, está desde o início das primeiras tropas para ali destacadas ou se foi instalado posteriormente, o que se sabe, é que este posto de correio está sob a administração alemã, que faz a exploração postal do mesmo e, que o todo o correio é manuseado por militares alemães.

Segundo informações dadas por militar português, o posto de correio em Warehouse Camp, desempenha todas as funções postais. Talvez para facilitar o trabalho do militar encarregue do posto de correio, os correios alemães, editaram cartas inteiras (Fig. 3) com as taxas praticadas na Alemanha, contudo, até à data ainda não me foi possível apurar:

fig3
Figura 3
 

a) - Se existem cartas inteiras já taxadas para os cinco Continentes, ou se a carta inteira com taxa para a Europa serve para todos os Continentes levando um complemento adicional de porte em selos.

b) - Se os postais existentes à venda em Warehouse Camp, são turísticos ou Inteiros Postais.

c) - Desde quando foi instalado o posto de correio em Warehouse Camp.

                Como já citei, tudo o que conseguir apurar sobre o correio das nossas tropas no Afeganistão, disso irei dando conhecimento aos leitores, no Boletim do nosso clube caso os responsáveis do mesmo o entendam por bem.

Já agora, e antes de me debruçar sobre as marcas postais e militares a que a Portugal diz respeito, acho que é de interesse para os menos familiarizados sobre aspectos militares, explicar o que é o Warehouse Camp.

Trata-se de uma grande área militar, género, Campo Militar de Santa Margarida! Contudo, existe uma pequena diferença: enquanto em Santa Margarida estão instaladas várias unidades militares, em Warehouse Camp, estão aquartelados vários contingentes de diversos países. 

Debruço-me agora sobre três carimbos existentes em Warehouse Camp,: uma marca postal, um carimbo administrativo, e um outro particular usado pelas nossas forças militares no Afeganistão.

Carimbo postal - É um carimbo circular de 28 m/m de diâmetro, com a circunferência interior interrompida, dando um aspecto de ferradura. Ao centro apresenta um rectângulo 19x10 m/m, em que as linhas laterais sendo a continuação da circunferência interrompida na parte inferior do carimbo, torna estas arredondadas. No centro do rectângulo, o grupo data hora. Na coroa circular superior, a legenda FELDPOST e em meia-lua na parte superior a consoante “ b”. Em baixo o número do carimbo. (Fig. 4) 

Carimbo administrativo. Para uso do correio oficial, foi criado um carimbo de borracha e que é aposto normalmente nos sobrescritos enviados pelas nossas tropas para as várias instituições militares, podendo aparecer em cartas para particulares, se esse particular se dirigir por escrito ao contingente português no Afeganistão, com carácter oficial. O referido carimbo, começou a ser usado após a chegada do contingente português ao Afeganistão em Agosto de 2005 e apresenta as seguintes características: legenda em cima Exército Português em oval, ao centro as armas da República e as consoantes S. R. (Serviço da República), em baixo e em linha recta as siglas FND / ISAF, (Forças Nacionais Destacadas / International Security Assistance Force. (Fig. 5)

fig4           fig5          fig6
                                       Figura 4                                             Figura 5                                                                Figura 6
   

Carimbo particular. Por uma questão de comodidade, um militar da 1ª Companhia de Comandos, mandou confeccionar um carimbo com o endereço completo (exceptuando o nome e posto) do local onde se encontra a cumprir a sua missão. A não inclusão do seu nome e posto no respectivo carimbo, dá a entender, que o mesmo irá servir para outros seus camaradas o poderem usar como remetente nas suas correspondências. O carimbo confeccionado em cera, para além do endereço completo, é apresentado com imaginação, mostrando um militar equipado a rigor numa acção de patrulha. (Fig. 6).

Sabendo-se que este carimbo foi mandado confeccionar por um militar da 1ª Companhia de Comandos, que partiu para o Afeganistão em meados de Fevereiro de 2006, só posteriormente a esta data este carimbo deve aparecer aposto em correspondência.

Finalizo este escrito, com a informação, de como se processa o encaminhamento do correio para as nossas forças no Afeganistão e vice - versa. Existem duas maneiras de enviar e receber correio dos nossos militares integrados na força ISAF:

Envio: 1 PORT. - AFG. Correspondência dirigida ao militar (x) com indicação mínima de nome e posto via Alemanha, pagando o remetente a taxa de correio para a Europa. O transporte da Alemanha para o Afeganistão é gratuita visto ser feito em avião militar.

Envio: 2 PORT. - AFG. Correspondência dirigida ao militar (x) com indicação mínima de nome e posto e dirigida ao Batalhão de Serviços e Transportes (BST) Lisboa, pagando o remetente apenas o porte de serviço nacional. O correio chegado ao BST, será enviado nos voos de sustentação da DEU para o AFG com a periodicidade de duas vezes por semana estando a mesma sujeita a verificação por raio X.

Envio: 3 AFG - PORT. Qualquer militar que escreva do Afeganistão para Portugal directamente para os seus familiares, paga as taxas em vigor da Alemanha para a Europa. Do Afeganistão até à Alemanha o porte é gratuito. Penso que o processo é o mesmo para os outros contingentes de outros Continentes. Falta apurar.

Envio: 4 AFG - PORT. Se os militares portugueses escreverem para os seus familiares via Batalhão de Transportes e Serviços (BST), não pagam qualquer taxa!. Toda a correspondência recebida no BST até 2 Kg e para território nacional, é depois taxada com uma avença do BST e enviada para o destinatário.

 

Fontes:

                Regimento Infantaria N.º 1
                Batalhão de Serviços e Transportes
                Tenente Coronel “CMD” Dores Moreira
                Militares regressados do Afeganistão
                Jornal do Exército N.º 546 Dezº 2005

 

 

                                                                                                             

 

 

               

Actualizado em Quarta, 14 Outubro 2009 14:22
 

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