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Clube Filatélico de Portugal

Acidente em Lisboa do avião DC8 da KLM "Fridtjof Nansen" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Fernando Oliveira   
Quarta, 16 Setembro 2009 19:09

 

Acidente em Lisboa do avião DC8 da KLM

“ Fridtjof Nansen “

                                                                                                                                              Oliveira       

Fernando de Oliveira

 

 

Precedente de Madrid o DC8 da KLM/VIASA matrícula PH-DCL, fez-se à pista do aeroporto de Lisboa eram 01.00 da madrugada de  Terça-feira, 30 de Maio de 1961 e assim cumprir o “time table”da companhia.

Após o reabastecimento e mudança de tripulação, ás 2 horas e 19 minutos as comunicações entre a Torre de Controle (TWR) do aeroporto de Lisboa e o DC8 da KLM, voo VA 897 faziam-se normalmente. O DC8 acabara de descolar da pista 36, acerca de 4 minutos, já tinha passado à vertical do NDB/radiofarol “ C P ” “charlie papa” instalado na arriba da Caparica, encontrando-se sobre o mar a 4 milhas da costa.

O radiotelegrafista de bordo dava as informações normais nestes casos “Estamos a 4.000 pés e vamos subir……….”, abruptamente as comunicações com a  TWR  de  Lisboa  ficam interrompidas, sendo infrutíferas as sucessivas  chamadas do controlador de serviço, para restabelecer as comunicações com o avião.

A TWR do aeroporto de Lisboa ainda não dispunha de radar para seguir as aeronaves, por isso o controlador admitindo ser avaria do avião despoletou os procedimentos adequados.   

O avião dirigia-se à ilha de  Santa Maria nos Açores aeroporto de escala técnica onde seria reabastecido, mas aonde não chegou. Ao descolar do aeroporto de Lisboa o “Fridtjof  Nansen” transportava  47 passageiros, entre estes alguns portugueses que embarcaram em Lisboa e 14 membros de tripulação  os quais pereceram no acidente.

O voo VA 897 fazia a ligação Roma e a cidade de Lima (Peru) com escalas em Madrid, Lisboa, Santa Maria (Açores), Bogotá e pertencia a Companhia Aérea Venezuelana “VIASA”. Esta linha aérea foi inaugurada em Janeiro de 1961, e era assegurada pelos aviões da KLM, como se pode observar no anúncio publicado no matutino Diário de Notícias de 28 de Maio de 1961. (Fig. 1)

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Figura 1

O DC8-53 matrícula PH-DCL “Fridtjof Nansen” era um avião de propulsão a jacto fabricado pela Mc Donnell Douglas utilizando como combustível JP4 (petróleo) e podia transportar até 120 passageiros.

Todos os jornais de quarta-feira 31 de Maio de 1961, se referem ao acidente do avião que explodiu em pleno voo, informando os leitores que os destroços pulverizados estavam a dar à costa, entre a Fonte da Telha  e a lagoa de Albufeira, exalando um forte cheiro a gasolina, o que não é condizente com o cheiro a petróleo do combustível JP4, usado nos jactos DC8. Os pescadores residentes entre a Costa da Caparica e a lagoa, referem ter ouvido um estrondo muito forte  que se distinguiu no ruído do temporal que se fazia sentir na altura.

Estava-se no início da era do jacto, cujo princípio se baseia numa turbina que aspira o ar para uma câmara de compressão onde é injectado o combustível. Este arde continuamente e os gases ao serem expelidos pela rectaguarda do motor impelem o avião para a frente.  No inicio da aviação, nos motores de pistão dos aviões de hélice o combustível utilizado era a gasolina de 120 octanas com aditivos entre os quais o chumbo o que dava a este combustível um alto poder de ignição e um forte cheiro difícil de eliminar, quando derramado, facto este salientado por todos os jornais que se referiram ao acidente do DC8 da KLM. Imagine o leitor em vez da injecção do combustivel JP4, por erro de abastecimento fosse injectado gasolina de 120 octanas    nas câmaras de compressão dos motores do DC8, haveria de certeza uma explosão. (fig. 2)

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Figura 2

Por isso é de  admitir ter havido erro  no abastecimento da aeronave, o qual teria provocado a explosão .Não pudemos consultar as conclusões da comissão  de inquérito designada  pela D.G.A.C. hoje I.N.A.C. porque os arquivos da D.G.A.C. estão encerrados em contentores , algures no Aeroporto de Lisboa e inacessíveis para consulta. Também  não foi possível consultar os arquivos do Gabinete de Prevenção    e  Investigação de  Acidentes com Aeronaves , departamento do M.O.P.T.H. neste momento envolvido num processo de mudança de instalações.

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Figura 3

A Direcção Geral da Aeronáutica Civil, entidade que tutelava na altura a Aviação Civil em Portugal, nomeou uma comissão de inquérito ao acidente constituída pelos seguintes membros: piloto aviador, Manuel Guerreiro Figueira, Eng. Aeronáutico, Cândido dos Reis Videira, Eng. Electrotécnico, António Faria Delgado, e o Oficial de Circulação Aérea, António Joaquim Ferreira.  

A obra monumental que agrega todos acidentes aéreos a nível mundial “ RECOVERED MAIL” de Henry L. Nierinck não quantifica o correio que foi recuperado. Dos destroços do avião recolhidos pelas autoridades portuguesas, apresentamos aos leitores uma carta muito danificada, a mesma que  Henry Nierinck se socorreu  para documentar o acidente  do KLM na sua obra a traz referida. fig 3

Actualizado em Quarta, 16 Setembro 2009 19:11
 

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