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Clube Filatélico de Portugal

Perfurações "B N U" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Luís Armando Martins Barroso   
Quinta, 17 Setembro 2009 20:51

 

As perfurações BNU

                                                                                                                                              Barroso

Luís Armando Martins Barroso

 

Entre as perfurações portuguesas conhecidas algumas há que, pertencendo embora ao mesmo utilizador e tendo a mesma figuração, não são todavia iguais. Dentre elas a mais “prolífera” de todas, permita-se-nos a expressão, é a marca “B N U” pertença do Banco Nacional Ultramarino, que apresenta cinco tipos com o mesmo monograma. Estas cinco marcas, todas compostas pelas letras “B N U”, são todavia diferentes entre si como iremos verificar, mais á frente. 

Este estabelecimento de crédito, sem dúvida um dos mais encontrados entre a generalidade das perfurações do Continente, utilizou também, marcas de segurança, semelhantes às usadas no território nacional, em algumas das suas agências no estrangeiro, caso das situadas no Brasil, França e Inglaterra, embora estas, ao contrário do que acontece com as continentais, sejam bem mais difíceis de encontrar, sendo mesmo muito escassas em peças circuladas. 

Antes porém, de passar á apresentação do estudo sobre as várias perfurações, comecemos por conhecer, ainda que sucintamente, um pouco da história desta mais que centenária e prestigiada instituição.

 

                Porque aparece e como aparece o Banco Nacional Ultramarino?

                Em 1864, as potências coloniais começam a descobrir a importância que as suas colónias em África podem vir a ter, para o alargamento dos seus respectivos domínios nessa área geopolítica potencial e decidem agir.

Francisco Oliveira Chamiço, filho e irmão de negociantes de elevada craveira, tendo nas veias sangue inglês e alemão, educado em Inglaterra, ao atingir a maioridade, é associado à conceituada firma de seu pai que passa a dirigir. Clarividente, apercebendo-se também desses novos rumos, sente necessidade igual de explorar e defender os interesses territoriais portugueses naquele Continente e, para tal, tem a ideia de criar uma instituição financeira a que dá o nome de Banco Nacional Ultramarino.

Homem de forte personalidade e bem relacionado com a alta finança europeia, Francisco Chamiço sente que não há tempo a perder e isso, leva-o a impulsionar o próprio Ministro da Marinha e Ultramar a, pessoalmente, expor o projecto à Câmara de Deputados do Reino em 7 de Abril de 1864 e este de tal maneira o fez que, logo em 10 de Maio seguinte é aprovado o decreto que autoriza o novo banco.

Seis dias depois o rei assinava a Carta de Lei que ratificava o referido decreto, nascendo assim em 16 de Maio de 1864, oficialmente, o Banco Nacional Ultramarino que em 2 de Janeiro de 1865 abria as portas ao público em Lisboa.

Sobre tal acontecimento escreveria alguns anos mais tarde o historiador e sociólogo Oliveira Martins “a fundação d’este banco foi inspirada por intuito patriótico e civilizador, análogo na esphera commercial ao da benemérita Sociedade de Geografia de Lisboa, na esphera scientífica”.

Francisco de Oliveira Chamiço, criador e 1º Governador do Banco Nacional Ultramarino, nesse lugar se mantém até à sua morte em 1888. Sucede-lhe no desempenho dessas funções o Visconde de Ottolini, já então Vice-Governador da instituição.

 

Instalações

A sua primeira sede, arrendada contratualmente por 9 anos com a renda anual de 2.250$000 reis nos 3 primeiros anos e 3 contos nos seis restantes, ficou situada num prédio existente no Largo das Duas Igrejas onde hoje está a Companhia de Seguros Mundial, mudando em finais de 1866 para um prédio de esquina, entre a Rua Nova de El-Rei (hoje do Comércio) com a Rua Bela da Rainha (hoje da Prata), entretanto por si adquirido.

Tal edifício beneficiou de inúmeras obras de ampliação sendo a mais profunda a que resultou da extensão das instalações até á actual Rua Augusta, no ano de 1951, tornando-se o banco então proprietário de todo esse quarteirão.

Entre fins de 1989 princípios de 1990 os serviços da sede do banco, assim como o seu Conselho de Administração, transferem-se aos poucos, da Rua do Comércio para a Avenida 5 de Outubro nº 175, e aí passam a exercer as suas funções.

 

Seu desenvolvimento e expansão

Logo em 1865, primeiro ano da sua existência, abre uma sucursal em Luanda, uma agência na Praia, em S. Tiago de Cabo Verde, seguindo-se em 1868 agências na Ilha de S. Tomé, em Goa e na Ilha de Moçambique.

Com a intenção de apoiar a expansão do comércio moçambicano estabelece uma agência em Pretória (África do Sul) que já funcionava em 1884 e estava a cargo de E. Cohen. Depois, em 1902 inaugura agências em Macau e em Bolama (Guiné) e em 1912 em Díli (Timor).

A sua expansão irá em seguida espalhar-se por território estrangeiro em cidades como Kinshasa, Bombaim, Hong-Kong, Londres, Paris, New York, Rio de Janeiro, etc., abrangendo assim, praticamente, todos os continentes.

Em 1929, dez anos após a abertura da sua agência em Londres, esta transforma-se no Anglo Portuguese Colonial & Overseas Bank, cuja designação veio em 1955 a ser encurtada para Anglo Portuguese Bank Limited, o qual veio a ser alienado mais tarde por ordem do governo.

Também em 1929 e igualmente 10 anos depois da sua abertura a agência B.N.U., em Paris, é convertida no Banque Franco-Portugaise d’Outre-Mer, actualmente Banco Franco Portugais, no qual o Banco Nacional Ultramarino detinha uma participação de 9% sendo os restantes 91% propriedade da Caixa Geral de Depósitos.

Várias transformações foram sofrendo igualmente, ao longo dos tempos outras suas agências, sem que no entanto alguma vez se visse diminuída a sua grandeza e a sua importância, enquanto instituição bancária, aquém e além fronteiras nacionais.

Curiosamente, só em 1917, após se haver afirmado no exterior, o que era afinal o grande objectivo que havia presidido à sua criação, o Banco Nacional Ultramarino dá inicio à sua implantação como banco comercial em Portugal Continental, onde apenas possuía a sua sede em Lisboa. Tinham entretanto passado 52 anos (!).

Começa então pela cidade do Porto e, depois, sucessivamente, estende-se a todos os distritos do continente e regiões dos Açores e Madeira.

No Relatório do Conselho de Administração relativo ao ano de 1919 pode ler-se: “com o Banco Nacional Ultramarino, ou mais propriamente com as Dependências que instituímos e os vieram substituir se acham, pois, hoje amalgamados: o Banco Eborense, o Banco Agrícola Industrial e Comercial de Vila Real, o Banco do Douro e o Banco de Bragança”.

Em finais da década de 60 o Banco Nacional Ultramarino é considerado o banco português com maior número de estabelecimentos na Metrópole.

Finalmente, em 2001, perde a sua autonomia e é “amalgamado” pelo grupo Caixa Geral de Depósitos.

 

Marca nº 1

BNU1

Número de furos:  B =  18      N =   20       U =  14        TOTAL  :    52  furos

Dimensões : altura :  7,5  mm * comprimento :  17  mm

Data de autorização da perfuração: desconhecida

Período de utilização conhecido:   1911  a  1988

BNU1c

Carta remetida de Ovar (06.05.26), para Santarém (07.05.26) franqueada com triplo porte interno (40 centavos x 3) e aplicação do selo de imposto de dia obrigatório de 15 centavos

 

 

Marca nº 2

BNU2

Dimensões :  altura :  7,5  mm * comprimento :  17  mm

Número de furos :  B =  18      N =   21       U =  14        TOTAL  :    52  furos

Data de autorização da perfuração :  desconhecida

Período de utilização conhecido:   1911  a  1988

Observações : a diferença para a marca anterior está no facto de a letra “N” deste mono-grama ter mais um furo que a do anterior.

BNU2c

Carta expedida sobre registo de  Lisboa para Buenos Aires (11.11.41)  Via Lati. Pagou de porte Esc. 221$50, sendo: (2$00 de prémio de registo para o estrangeiro) + (1$75 primeiro porte para países extra-europa)  +  (3$00 segundo porte e  seguintes para  o serviço  internacional)  +  (13 fracções de 5 grs x16$50 de sobretaxa aérea). Esta carta pesava 65 gramas.

 

Marca nº 3

BNU3

BANCO NACIONAL ULTRAMARINO – BRASIL

(Rio de Janeiro – Santos – Baía – Pará – Pernambuco)

Dimensões : altura :  5  mm * comprimento :  12  mm

Número de furos :  B =  13         N =   14         U =   10        TOTAL  :    37  furos

Data de autorização da abertura : Decreto-Lei  nº 9900  de  07/12/1912.

Data da autorização da perfuração :  desconhecida

Período de utilização :  desconhecido

BNU3c

Carta enviada pelo M/S “BENAVENTE” da Agência da Baía (18.05.21) para Santarém (03.06.21

 

Marca nº 4

BNU4

BANCO NACIONAL ULTRAMARINO – FRANÇA

Rue  du  Helder  8  -  Paris  (IX )

Dimensões : altura :  6 mm * comprimento : 14  mm   

Número de furos : B =  15         N =   14         U =   11      TOTAL  :   40  furos

Data de autorização da abertura : 2  de  Junho  de  1919

Data da autorização da perfuração :  desconhecida

Período de utilização :   desconhecido

Observações : a diferença para a marca anterior está no facto deste monograma ter a mais : 1 mm de altura;  2 mm  de largura;  2  furos na letra  “B”  e  1 na letra “U”.

BNU4c

Carta enviada de Paris (27.10.26) para Santarém (30.10.26).

 

Marca  nº 5

BNU5

BANCO  NACIONAL  ULTRAMARINO  -  INGLATERRA

9, Bishopsgate, E. C.  2  -  London

Dimensões : altura :  11 mm comprimento : 13 mm      

Número de furos :  B =   14        N =   13          U =   10           TOTAL  :   37  furos

Período de utilização:  desconhecido

Data de autorização de abertura :  15  de  Maio  de  1919

Data da autorização da perfuração :  desconhecida

Nota: este banco mais tarde deu origem ao Anglo Portuguese Bank

BNU5c

Carta remetida de Londres (07.02.28)para Santarém (10.02.28).

 

Para além da perfuração “B N U”, uma outra existe também bastante interessante e curiosa, referimo-nos ao monograma “TOTTA” do qual são conhecidos 4 tipos diferentes com essa mesma designação.

Porém, contrariamente ao “B N U” que foi pertença de um só utilizador (o Banco Nacional Ultramarino) a marca “TOTTA” teve quatro “donos”: “José Henriques Totta Limitada”; “Banco José Henriques Totta”; “Banco Totta & Aliança” e “Banco Totta & Açores”, tornando-se por isso a número 1 com esta particularidade – maior número de utilizadores com uma mesma designação.

 

 

Bibliografia :

“Cem Anos do Banco Nacional Ultramarino na Vida Portuguesa” (Vol I a IV) edição do Banco - 1964

“B N U Comemorações do 1º Centenário  (1864 – 1964)” – edição do Banco – 1964

“Relatório e Contas do Banco Nacional Ultramarino”  - anos de 1865 a 1999.

 

 




 


 




 





 




 




 BNU5c

Carta remetida de Londres (07.02.28)para Santarém (10.02.28).

 

Actualizado em Quinta, 17 Setembro 2009 21:22
 

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